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14/07/2017 às 09:02
R$ 550 milhões de arrecadação e nem sinal de duplicação na BR-101

Mesmo multada 85 vezes pela ANTT por descumprimento de cláusulas contratuais e faturando, em três anos de concessão, cerca de R$ 550 milhões com pedágio, a Concessionária Eco101 confirmou, em audiência pública na Câmara Federal, que não conseguirá entregar o que está previsto no contrato: metade da rodovia BR-101 duplicada nos próximos dois anos. Mas, a cobrança de pedágio continua!

 

Nem a estatística de tráfego no mês de junho foi publicada até agora no site da empresa. Sobra para os explorados motoristas a sensação de que a segurança não melhorou e os números de acidentes com mortes continuam assombrando: mais de 120 só no ano passado. A maior tragédia em estradas do Estado ocorreu no mês passado, em Guarapari, quando 23 pessoas morreram na batida entre uma carreta, um ônibus e duas ambulâncias.

 

Segundo os motoristas, todos os dias há diversos flagrantes de irregularidades e o perigo é iminente. "Isso aqui é um pavio de pólvora, tem que trabalhar muito atenciosamente porque um vacilo é fatal", definiu o caminhoneiro João Batista Schuler, em entrevista a um jornal diário de Vitória.

 

Na mesma reportagem, o doutor em engenharia de tráfego, Rodrigo Rosa, explica que a BR-101 foi projetada para suportar um movimento menor. A rodovia não suporta o tráfego intenso de veículos pesados que existe hoje. "A BR-101 e a BR-262 são rodovias das décadas de 1950 e 1960. Nessa época, o maior veículo que trafegava era na ordem de 15 metros e hoje estamos falando de caminhões de 30 metros. A gente falava de caminhões de até 15 toneladas, e hoje de 70. É inconcebível pensar em uma pista simples para esse tipo de tráfego, sem contar o número de veículos na via, que aumentou absurdamente nos últimos 30 anos", disse.

 

A duplicação que não sai

O licenciamento para a duplicação de 155 km do trecho Sul – entre Viana e a divisa com o Rio de Janeiro – se arrasta há seis anos e só agora deve ser liberado. A Eco101 tem até o dia 20 de agosto para pagar as taxas ao Ibama e receber a licença ambiental para começar a obra.  No trecho Norte, a autorização foi pedida em 2013, mas ainda não houve resposta. "A Eco 101 só fez a praça de pedágio, a pintura na faixa de rolamento e a capina na beirada da pista, de resto não fizeram mais nada", disse o motorista Alex da Silva. A duplicação começou em apenas quatro pontos, mas foi paralisada em quase todos. São trechos curtos, em João Neiva, Ibiraçu, Anchieta e Itapemirim, além do contorno de Iconha, obras que já estão atrasadas. Ao longo da BR-101 no Espírito Santo, sete praças de pedágio estão no caminho dos motoristas.

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