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20/02/2010 às 08:34
BR 101 - "viagem do inferno ao céu"

E você ainda vai pagar pedágio por isso?

Segunda maior rota rodoviária do país (a primeira é a BR 116), a rodovia BR-101, com extensão de 4.542 quilômetros em todo o litoral brasileiro, entre as cidades de Touros (RN) e São José do Norte (RS), está tão defasada que trafegar na maioria dos trechos é como fazer uma viagem do "inferno ao céu" a cada 100 ou 200 quilômetros. A principal via de acesso às praias de todo o Brasil "está doente, em fase terminal".

 

Buracos com mais de três metros de largura e 101 buracos em apenas dois quilômetros de extensão, no Rio Grande do Sul. Em Alagoas o asfalto é de ótima qualidade, mas no restante do Brasil, cerca de 20% são de péssima qualidade, com buracos, ondulações, falta de sinalização, placas encobertas pelo matagal, falta de placas e pintura de faixas em pontos perigosos. A falta de sinalização horizontal é preocupante à noite, porque o motorista não sabe se está em ponto de reta ou de curva, para fazer uma ultrapassagem segura.

 

A quantidade de buracos faz a festa dos borracheiros ao longo da rodovia. No Espírito Santo e Bahia, o trânsito de veículos pesados, transportando madeira, deixa a viagem cansativa e demorada. A falta de fiscalização contribui para aumentar a venda de bebidas alcoólicas e a prostituição. No principal caminho do litoral brasileiro, os motoristas devem se preparar para contrastes e surpresas: há crateras de estourar pneus ou até para engolir um carro na rica região Sul; mas também existem pistas recém-reformadas que viraram um tapete em redutos pobres do Nordeste.

 

De João Neiva a Vitória o fluxo de tráfego pesado é muito grande, principalmente de carretas transportando granito, o que provoca longas filas, acidentes, mortes, irritação e imprudência, já que existem raros pontos de ultrapassagem. As travessias urbanas de Ibiraçu e Fundão são um desafio para motoristas, experientes ou não.

 

A BR 101 corta destinos badalados (como Florianópolis, Recife, São Paulo, Bahia e Rio de Janeiro) e outros quase intocados e desconhecidos pelo turismo. A reportagem do jornal Folha de S. Paulo constatou que 20% do percurso pela rodovia, chamada de translitorânea, estavam em más condições às vésperas das férias escolares - de buracos e ondulações na pista à falta de placas e de sinalização no asfalto em curvas perigosas.


Audiência pública define cobrança antecipada de pedágio

Integrante da Comissão da Câmara Federal que discute a privatização da BR 101 nos 458 quilômetros que cortam o Espírito Santo (e mais 17 quilômetros até o trevo de acesso à fábrica da Suzano Papel, em Mucuri, no Sul da Bahia), o deputado Lelo Coimbra confirmou à reportagem da FOLHA DO LITORAL, em visita a Aracruz, que em março próximo será realizada, em Vitória, audiência pública para discutir a cobrança antecipada de pedágio.

 

De acordo com as novas normas da Associação Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a cobrança de pedágio - serão sete praças, em Pedro Canário, Jaguaré, Linhares, Serra, Guarapari, Cachoeiro de Itapemirim e Mimoso do Sul - vai ser feita antes da conclusão das obras, a partir de 2011. Ou seja, o motorista vai pagar para continuar trafegando por uma estrada defasada há mais de 30 anos, colocando sua vida em risco, ou seja, vai "pagar para morrer?", já que hoje, apenas no trecho entre São Mateus e Vitória, morrem, em acidentes por mês, cerca de 10 pessoas. Como a duplicação total do trecho deve levar quase 25 anos para ficar pronta, mesmo assim o pedágio continuará sendo cobrado.

 

Lelo Coimbra adiantou que o governo do estado será responsável pelas obras de uma nova rodovia na Serra, saindo do Posto da Polícia Rodoviária, passando por trás do Morro Mestre Álvaro e sendo finalizada na rodovia do Contorno, em Cariacica, o que desafogará a BR 101 no perímetro urbano de Serra, local de elevado índice de acidente.


Empresa mantém projeto da rodovia

Após derrubar na Justiça a liminar que a impedia de realizar os trabalhos do estudo de duplicação da BR 101 no Espírito Santo, movida em ação pública pelo Ministério Público Federal, alegando que a autorização concedida pelo Ministério dos Transportes é ilegal, a Estruturado Brasileiro de Projetos (EBP) reinicia as atividades em março, após paralisação desde novembro do ano passado.

 

Segundo a ANTT, os estudos realizados pela EBP são necessários para dar andamento ao projeto de duplicação da rodovia, que prevê, entre as divisas com o Rio de Janeiro e Espírito Santo, sete praças de cobrança de pedágio, com tarifa variando de R$ 2,30 a R$ 5,37. A EBP, não importando o andamento das obras, começa a cobrar pedágio em março de 2011, ou seja, dentro de um ano e um mês. O prazo de concessão para a empresa é de 25 anos, período em que ela pretende investir R$ 2,3 bilhões. Cada quilômetro vai receber de R$ 3 milhões a R$ 4 milhões de investimentos em obras. E cada um vai custar R$ 0,06 para definir o valor da tarifa do pedágio. A praça de Pedro Canário é a que terá o custo mais elevado.


O que será feito antes da cobrança de pedágio

Como serão pelo menos seis meses de obras após a assinatura do contrato, a EBP vai melhorar a BR 101 antes de ser dada a autorização para a cobrança de pedágio, mas as intervenções se limitam a:

Obras de tapa-buracos.

Sinalização.

Retificação de traçado.

Melhoria de curvas e visibilidade.

Desapropriação de terrenos para construção das praças de pedágio.

Melhoria das travessias urbanas em Ibiraçu, Fundão, Linhares, São Mateus, Pedro Canário e Iconha.

Correção de superelevação e construção de terceira faixa nos quilômetros 200 (João Neiva), 217 (Ibiraçu) e 221 (Serra).

Melhorias nas interseções para acesso a Piúma, Anchieta, Guarapari, Rio Novo do Sul, Itapemirim, Cachoeiro de Itapemirim, Apiacá e Serra.


Valor do pedágio

Km 459,6 - Mimoso do Sul, divisa com o Rio de Janeiro - R$ 2,30.

Km 406,8 - Safra, em Cachoeiro de Itapemirim - R$ 3,16

Km 328 - entre Guarapari e Viana - R$ 4,72

Km 252,9 - Serra, a três quilômetros de Fundão - R$ 4,51

Km 174,8 - Rio do Norte, em Linhares - R$ 4,68

Km 92 - Água Limpa, em Jaguaré - R$ 4,96

Km 2,4 - Pedro Canário, divisa com a Bahia - R$ 5,37

 

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