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19/04/2011 às 08:49
A tal memória

   Quem nunca vivenciou o conhecido "branco" diante da tensão de uma prova, na busca de palavras em uma conversa, no que faria mais adiante? Imagine perder um concurso por esquecimento, não se lembrar do aniversário de casamento ou não se atentar em buscar o filho na escola. A memória está presente no cotidiano e seu prejuízo pode ser devastador.


   Chamamos de memória a capacidade de adquirir, armazenar e recuperar as informações disponíveis no cérebro e sua importância está na focalização de coisas específicas, podendo ser deteriorada com o avançar da idade.


   Se o leitor imaginar um pato, com seu bico típico e membranas interdigitais, uma galinha pondo ovos, esporão de defesa do galo, veneno de cobra contra predadores, o escorrer do leite, cauda de um castor, e misturasse todas essas características, não seria difícil criar a imagem de um animal estranho e existente, o ornitorrinco. Graças à memória ou partes dela podemos, junto aos conhecimentos adquiridos, gerar ideias novas, e isso pode auxiliar na tomada de decisões diariamente.


   Um professor pode facilmente se lembrar dos nomes de seus alunos ou os estudantes recordarem da bronca da professora, na chamada memória explícita, mas também mais rapidamente essa memória é anulada. Trata-se do envolvimento do consciente, abrangendo estrutura cerebral denominada de lobo temporal medial (hipocampo e amígdala). Agora, há memória que leva mais tempo para ser adquirida e é bem durável, como se lembrar do andar de bicicleta ou dirigir um carro, mesmo conversando com o carona, sendo conhecida como memória implícita e não depende da consciência, envolvendo estruturas cerebrais denominadas gânglios basais.


   O que importa é quando essa base do conhecimento, que é a memória, não funciona corretamente, principalmente quando precisamos. Uma vez falha, não conseguiremos dar significado ao cotidiano e não acumularemos experiência para ser utilizada durante a vida.


   Quando os encontros de neurônios ou sinapses estão inibidos, alterados ou em número reduzido, as falhas na memória ocorrem. Essa redução sináptica ou de neurônios pode ser apressada diante de estimulação excessiva, nas doenças degenerativas como Parkinson e Alzheimer, nas isquemias cerebrais ou derrames, nos traumatismos cranianos, mas também nos momentos de ansiedade e irritabilidade.


   A disfunção da chamada memória de trabalho (a que usamos para evocar o número de telefone no ato de ligar ou de palavras no momento da fala, por exemplo) e redução da capacidade de memória de curta duração (quando não se lembra da última refeição servida, por exemplo) pode ser vista em pessoas de mais idade, problema que chamamos de amnésia senil benigna.


   De certo, as muitas técnicas de memorização como leitura, escrita, música, caminhadas, além das formas de enfrentamento da ansiedade e irritabilidade podem auxiliar a tal memória. Fora isso, uma consulta especializada deve ser garantida quando o problema se mantiver.

Tiago Santos da Silva

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