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Ao que tudo indica, a maioria dos suplentes de vereadores em Aracruz, na sessão da próxima segunda-feira (28), podem se transformar em inquisidores e deixar a Câmara funcionando como um Tribunal de Exceção, para levar ao cadafalso o prefeito Ademar Devens. Eles vão votar o seu afastamento, ou não, com base em uma denúncia de mais de duas mil páginas, tendo menos de uma semana para analisar os documentos e ouvir testemunhas de acusação ou defesa.
"Se a denúncia pede o afastamento, vamos afastá-lo", comentou um suplente, sem se importar com as consequências que isso trará para a já desmoralizada política do município, e o pior, para a emergente economia, que sofrerá mais um baque de descrédito, porque a notícia ganhará as manchetes da imprensa estadual e o escândalo político do recente passado será novamente destrinchado, colocando no rol do descrédito todos os políticos, inclusive os suplentes.
O que está por trás desta trama? Alguns suplentes estão sendo meros joguetes nas mãos de políticos inescrupulosos, que não respeitam os 34.494 votos recebidos pelo prefeito na eleição de 2008, quando foi reeleito para um segundo mandato, com respaldo de 66,42% dos eleitores?
Sem poder convocar os dois suplentes para as vagas dos titulares afastados pelo Legislativo, devido à não autorização da Justiça Eleitoral, que aguarda o julgamento de recursos, a presidência da Câmara os convocou mesmo assim, apenas para dar quórum. Como esses dois suplentes - e os demais - terão tempo hábil para analisar duas mil páginas de documentos e votar com a razão?
A imprensa séria fiscalizará se a prefeitura será loteada ou não por interesses escusos... Portanto, senhor vereador eleito em 2008 e senhores suplentes, muita cautela e observação no que existe por trás desta pressa em afastar um prefeito que tem apenas mais sete meses de mandato e não pode ser candidato à reeleição, antes de darem os seus votos. Tem algo estranho aí!
Lembrem-se da declaração do suplente Celson Silva Dias a um jornal de Vitória, no último domingo (20): "a Câmara virou uma zona. Tem suplente que já entrou aqui contaminado pelo esquema, brincando com dinheiro público". Portanto, não queiram aumentar ainda mais esta zona, porque os dejetos cairão sobre suas cabeças na eleição de outubro próximo. O povo não aceitará passivamente mais uma vergonha.
Coluna
Beth Vervloet

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