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30/03/2012
Como Aracruz nasceu

O município foi criado em 3 de abril de 1848 com o nome de Santa Cruz

   A quatrocentona Santa Cruz é uma pequena localidade do município de Aracruz. Situada às margens do rio Piraquê-açu, é motivo de orgulho para seus habitantes, principalmente daqueles que herdaram de seus antecessores histórias de muitas gerações, que até hoje podemos sentir olhando seus casarões antigos, o velho cais do porto, a Fonte do Caju, a beira do rio, o movimento dos pescadores, o extenso manguezal, seu cheiro de mar...

   Denominada Aldeia Nova, Santa Cruz foi fundada em 1556 pelo padre Brás Lourenço, auxiliado pelo também padre Diogo Jácome. Tudo começou com a chegada dos homens brancos naquelas terras habitadas somente pelos índios tupiniquins, chefiados pelo cacique Maracaiá-Guaçu, ou Grande Gato. Eles chegaram em virtude do processo de catequização, fundando um núcleo de catequese que atraiu várias tribos de índios da região. Mais tarde, com a criação da Aldeia dos Reis Magos (atual Nova Almeida) o núcleo passou a denominar-se Aldeia Velha.

   Segundo Levy Rocha em seu livro "De Vasco Coutinho aos Contemporâneos", a aldeia teria sido apelidada pelos seus habitantes tupiniquins de Huuassu, ou Rio Caudaloso, e, segundo o autor, ao que parece, a Aldeia Nova foi o primeiro ponto da costa brasileira onde, a 26 de fevereiro de 1557, aportou o barco que trouxe o francês Jean de Lèry para servir a Villegaignon. O cacique Maracaiá-Guaçu chegou a se incorporar à expedição de Mem de Sá para a expulsão dos franceses da Guanabara (Rio de Janeiro).

   Em 16 de dezembro de 1837 a Aldeia Velha tornou-se distrito. Uma lei provincial elevou o povoado a Freguesia, passando a fazer parte do termo de Nova Almeida. Em 1848, por Lei Provincial nº 2, a Freguesia foi elevada a Vila. O município foi criado em 3 de abril de 1848 com o nome de Santa Cruz.

   Em 1860, Santa Cruz recebeu a visita do Imperador D. Pedro II, que pernoitou no lugar e até inaugurou o chafariz público. Para abrigar o imperador, foi construído o prédio onde depois funcionou a Antiga Câmara Municipal, hoje um dos dois únicos patrimônios do município de Aracruz tombado pelo Conselho Estadual de Cultura. Ao longo dos anos, o prédio passou por várias utilizações: Fórum, Prefeitura, serviços de estatística, cadeia, postos de correio e telefônico.

   Sobre a visita de D.Pedro II, contam as pessoas do lugar (muitos chegaram a ver, lá pelos idos de 1964), que ele deixou de presente para Santa Cruz uma medalha com uma dedicatória sua e da Imperatriz D. Teresa Cristina Maria, que ficou muitos anos sob a guarda da Igreja local. Anos depois, com receio de sua segurança, a medalha foi colocada sob a custódia do Bispo Dom João Batista da Motta e Albuquerque. Também ficou como lembrança de sua visita um jogo de "pesos de quarta".


Como surgiu o nome Aracruz

Em 1891 o município de Santa Cruz perdeu o território de Conde D'Eu (atual Ibiraçu). Em 1943 uma Resolução da Comarca Municipal transfere a sede para o povoado de Sauassu. A nova sede e o município recebem o nome de Aracruz. Assim, Santa Cruz perde o poder de sede de município, transferindo para Aracruz (sede) a atratividade do comércio, indústrias e serviços da região. Com isto, Santa Cruz mantém suas características de pequeno povoado, com a pracinha e a Igreja Matriz no centro.


A Matriz de Santa Cruz

O outro patrimônio também tombado no município de Aracruz é a Igreja Católica de Santa Cruz. Conforme o historiador Placidino Passos, e também o Catálogo de Bens Culturais Tombados no Espírito Santo, por volta de 1820 a pequena aldeia possuía menos de uma dezena de cabanas cobertas de sapé, não passando de um aldeamento de índios, os quais se ocupavam do embarque de cal de conchas, madeiras e de algumas roças de mandioca ou milho. Em 1837, devia existir no local alguma capela de taipá. No ano seguinte, o presidente da província capixaba autorizava, por lei, a contratar a conclusão da Igreja, o que consta, segundo os historiadores, não ter sido levada a sério.

   Em 1841, num mutirão de devotos, a matriz foi iniciada. Seus esteios e paredes eram de madeiramento fraco e ruim e a obra ficou de ser concluída. Em 1844 faltava forrar a capela-mor, fazer o retábulo e o altar e assoalhar o coro, bem como construir o campanário, sendo os sinos pendentes do coro. Em 1855 parecia estar terminada, não necessitando de reparo algum, conforme considerações de seu vigário, Santos Ribeiro.

   Em 1857, o novo vigário da Vila de Santa Cruz oficiava ao Barão de Itapemirim que o frontispício da Igreja Matriz reclamava de reparo, sob ameaça de ruir. Em 9 de maio do mesmo ano começou a ser construída a fachada definitiva, de alvenaria, no estilo gótico-romano. A planta do templo é retangular, com nave e capela-mor num só corpo e sacristia em outro. Foi restaurada no início da década de 70.

(Autora: Walewska Sant Anna Mori - www.graodeareia.com.br)


A imigração italiana no Brasil começou em Santa Cruz

Segundo o sociólogo italiano Renzo Grosselli, a Expedição de Pietro Tabachi foi o primeiro caso de partida em massa de imigrantes da região Norte da Itália para o Brasil. O nome da colônia criada no Espírito Santo pelo Governo Brasileiro chamava-se Nova Trento, a qual foi a primeira de pelo menos três Nova Trento, fundadas pelos trentinos em terras brasileiras. Portanto, a história confirma que Santa Cruz foi o berço da imigração italiana no Brasil.

   A primeira viagem de imigrantes foi no dia 3 de janeiro de 1874, às 13 horas, com saída do Porto de Gênova, em um navio a vela, o "La Sofia", na expedição Tabacchi, e a segunda pelo "Rivadávia", ambos de bandeira francesa. O La Sofia chegou ao Brasil em fevereiro de 1874, com 386 famílias, para as terras de Pietro Tabacchi em Santa Cruz.

   Mas, oficialmente, a imigração italiana teve início no Brasil com a chegada do navio Rivadávia, que aportou em 31 de maio de 1875, com 150 famílias italianas, encaminhadas para Santa Leopoldina, de onde seguiram para Timbuí e fundaram Santa Teresa.

   Seguem-se a estes outros navios, de 1874 a 1894: Mobely, Itália, Werneck, Oeste, Izabella, Berlino, Clementina, Adria, Colúmbia, Maria Pia, Regina Margherita, Solferino, Andréa Dória, Savona, Citá di Genova, Roma, Baltimore, Savóia, Pulcevere, Birmânia, Las Palmas, La Valleja e finalmente, Mateo Bruzzo, chegando com 528 famílias em outubro de 1894.

   O Núcleo Colonial de Santa Cruz é hoje parte do município de Ibiraçu. Os primeiros colonos para esse Núcleo chegaram no navio Colúmbia, que aportou em agosto de 1877. Os outros vieram nos navios Izabella e Clementina. Realizaram o mesmo itinerário do grupo trazido por Pietro Tabacchi para a Colônia Nova Trento, ou seja, de Vitória para Santa Cruz, de vapor. Em seguida, em canoas, subindo o rio Piraquê-açu até o Porto de Santana, em Córrego Fundo e, dali, a pé, até a Fazenda do Morro das Palmas, onde eram abrigados em um barracão do tempo de Pietro Tabacchi (falecido em 21.6.1874).

(Autora: Walewska Sant Anna Mori - www.graodeareia.com.br)


A importância do Estuário do rio Piraquê-açu

Em Santa Cruz, o encontro das águas do rio Piraquê-açu e Piraquê-mirim com as águas do mar formam um grande complexo costeiro-estuário, margeado por uma das maiores áreas de manguezal da América Latina, abrindo em uma extensa barra de rara beleza e com uma rica biodiversidade.

   É comum, ao longo de toda essa região, a ocorrência de couraças calcárias (rochas sintetizadas por pequenos animais a partir de CaCO3, extraído da água, com características muito semelhantes aos corais), as quais se agrupam próximas a ambientes estuarinos, formando enseadas e remansos, abrigando uma imensa variedade de formas marinhas, que delas dependem como local de alimentação, reprodução e crescimento. As tartarugas que desovam na Reserva Biológica de Comboios o fazem devido à extensa faixa de arrecifes existentes na região de Santa Cruz, utilizada como principal área de alimentação.

   A área de litoral em mar aberto, naquela região, constitui-se como uma das principais zonas pesqueiras do país, estando a produção de pescado intrinsecamente relacionada à preservação dessa zona de arrecifes litorâneos, como é conhecida. A riqueza do nosso litoral também é responsável por sediar campeonatos internacionais de pesca oceânica.

   A região é utilizada como área de abrigo e local de alimentação e reprodução de golfinhos. Grupos compostos em média por seis indivíduos desta espécie são diariamente avistados em locais próximos às coordenadas 40°06'60" W/ 19°57'00" S, na entrada da barra do rio Piraquê-açu. Dependendo de fatores bioecológicos que precisam ser mais observados, como nível da maré, condições climáticas, concentração sazonal de presas, trânsito de embarcações, dentre outros, é comum o avistamento de grupos variando de 2 a 6 indivíduos no estuário, alguns quilômetros acima, exibindo comportamentos de acasalamento e estratégias de pesca próximo às margens.

   Este comportamento da espécie subir o rio é relatado pelos mais antigos moradores da localidade, incluindo nativos indígenas que habitam as margens do rio Piraquê-açu, que atestam a ocorrência dos "botos" na região, desde tempos remotos, cultivando uma antiga admiração e respeito para com esses cetáceos, como se fossem animais cativos, chegando até mesmo a reconhecê-los individualmente.

(Texto extraído da proposta do Projeto Boto Marinho, de autoria de Lupércio Araújo Barbosa - Organização Consciência Ambiental - ORCA)

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