
Os indicadores de aproveitamento das empresas sediadas em Aracruz, fornecedoras e prestadoras de serviços à Mendes Júnior nas obras do Terminal Aquaviário de Barra do Riacho (TABR), encontram-se bem abaixo do que era esperado. Nas compras de materiais, a empresa investiu R$ 9,2 milhões (5%) no comércio aracruzense, e na contratação de serviços, R$ 14,9 milhões (19%) no município, de um montante de R$ 192,3 milhões. No Espírito Santo foram investidos R$ 17,9 milhões (10%) na aquisição de materiais e R$ 22,5 milhões (29%) na contratação de serviços. Os valores são referentes até o último dia 30.
Os dados foram divulgados por Tiago Barros, da Mendes Júnior, durante a segunda reunião de avaliação da participação local nos empreendimentos da cadeia do petróleo, realizada segunda-feira (26), no auditório do CISA. Nos demais estados, a empresa investiu 85% (R$ 151,7 milhões) do montante na aquisição de materiais, e R$ 40,6 milhões (52%) na contratação de serviços.
Na avaliação do Consultor do Programa de Desenvolvimento de Fornecedores do Espírito Santo (PDF-ES), Durval Vieira de Freitas, o aproveitamento das empresas capixabas e principalmente das sediadas em Aracruz é muito baixo, apesar de o município formar os melhores soldadores do Brasil. O maior volume de compras da Mendes Júnior foi feito em São Paulo (42%), seguido do Rio Grande do Sul (20%) e Rio de Janeiro (14%).
Os indicadores de participação das empresas capixabas melhoram em relação aos serviços contratados (48%). Desse índice, 29% corresponde a empresas sediadas em Aracruz. A Mendes Júnior contratou 60% de empresas de fora do Estado para as obras, pagando R$ 77,3 milhões, cabendo aos 40% de empresas capixabas um valor de R$ 37,4 milhões. Juntando serviços contratados com compra de materiais, a empresa gastou R$ 256,9 milhões (75%) fora do Estado e R$ 64,5 milhões no Espírito Santo (15%), sendo 9% em Aracruz, no período.
"As obras do TABR terminam em maio do ano que vem, quando aproximadamente 1,5 mil pessoas perderão os empregos", prevê Durval Freitas, acrescentando que mesmo com o aumento de trabalho, não acredita que a participação das empresas capixabas no projeto passe de 30%. "O PDF-ES reconhece que a Mendes Júnior melhorou as suas opções no Estado, porque no início da obra do TABR não queria usar as vagas ofertadas pelo SINE, pretendendo trazer funcionários do Pará", finalizou.
Mas até o final das obras, segundo afirmou Tiago Barros, a Mendes Júnior deve contar com 3,2 mil pessoas empregadas, já que o "pico" está previsto para o próximo mês de setembro, com funcionamento em dois turnos. A empresa alugou no município 110 imóveis, na sede e orla, e em novembro deve iniciar as contratações de mão de obra especializada no setor de instrumentação, atendendo uma reivindicação feita pelo SINE de Aracruz. "O objetivo é chegar a 48% de mão de obra local, mas a empresa já contribuiu bastante com a economia de Aracruz e do Estado", assegurou Tiago.
Falta de qualificação profissional atrasa cronograma de projetos industriais no Estado
No Espírito Santo, os projetos industriais em execução estão com um atraso de um ano e meio, devido à falta de qualificação profissional para formar mão de obra especializada, que deveria ser uma prioridade das administrações municipais e estadual. O desabafo foi feito na reunião do PDF-ES pelo então presidente do Centro Capixaba de Desenvolvimento Metalmecânico (CDMEC), Fausto Frizzera Borges.
O representante da Petrobras, Valmir Grillo, explicou que ainda não entrou na fase de aproveitamento a mão de obra do setor metalmecânico. "O custo do projeto aumentou e acredito na elevação da mão de obra local. Alerto que várias empresas de Aracruz foram avaliadas pela Petrobras para venderem produtos ou serem contratadas pela Mendes Júnior, e nenhuma delas foi aprovada para ser fornecedora ou prestador de serviços. A aprovação dos prestadores de serviços e da mão de obra é uma norma de todas as unidades da Petrobras. As empresas devem melhorar seus processos e a comunidade deve se capacitar para atender o empreendimento", alertou Grillo.
Durval Vieira de Freitas, do PDF-ES, mostrou dados da contratação para o TABR. "Foram contratados pela Carioca Engenharia 400 fornecedores, e pela Mendes Júnior 280 empresas capixabas micro e pequenas". Sobre as metas 2010/2011 e objetivos da reunião de avaliação, Freitas destacou que pretende atingir 45% do valor dos projetos implantados no Espírito Santo. "Temos que ter competência para não permitir que se importe de outros estados ou países o que pode ser feito pelas empresas e profissionais locais".
O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Divaldo Crevelin, criticou a Petrobras, considerando que a estatal está agindo com pouca transparência nos dados de aproveitamento da mão de obra local no TABR. Ele alertou para o início urgente das obras do Estaleiro Jurong, para absorver o contingente de desempregados com o fim das obras do TABR, em maio do ano que vem. Sobrou crítica também para os comerciantes de Aracruz: "falta mais gente do comércio nesta reunião".
Crevelin disse que a prefeitura realiza esses encontros visando criar oportunidades aos fornecedores locais para divulgar seus serviços e produtos aos grandes investidores. "Estamos fazendo a nossa parte, mas é necessária a participação mais ativa dos fornecedores. Vocês têm que lutar para atender a demanda . É necessário se qualificar e se preparar para atender. Vocês têm que buscar cada vez mais aperfeiçoamento para serem inseridos no contexto. Espero que cada um seja multiplicador deste processo", alertou.
Mão de obra local foi privilegiada
Dos 2.797 trabalhadores utilizados pela Mendes Júnior e suas contratadas nas obras do Terminal Aquaviário de Barra do Riacho (TABR), 2.015 foram contratados no Espírito Santo e apenas 782 fora do Estado. O maior contingente é de pessoas residentes no município de Aracruz (1.467), seguido de outras diversas cidades (205), Serra (165), Linhares (123), João Neiva (23), Ibiraçu (18) e Fundão (14). Desse montante, 1.867 pessoas foram contratadas diretamente pela Mendes Júnior, e 148 pelas subempreiteiras. Aracruz, Fundão, Ibiraçu e João Neiva respondem por 55% das contratações, cabendo a Aracruz a maior parte, 52%. Pelo histograma de mão de obra direta e indireta divulgado pela empresa, serão contratados mais 347 funcionários em agosto e 270 em setembro deste ano, quando ocorre o chamado "pico" da obra, que passará a contar com 3.414 trabalhadores.
Mendes Júnior vai investir R$ 2.045 milhões em serviços
Nos próximos 90 dias, a Mendes Júnior anunciou que irá investir R$ 2.045 milhões na contratação de serviços, com oportunidades para empresas de Aracruz e do Estado. Haverá investimentos também na compra de materiais. O cronograma prevê:
SERVIÇOS
Aluguel de imóvel - R$ 20 mil
Serviços de pintura de tubulação - R$ 100 mil
Locação de geradores (156kva e 188kva) - R$ 10 mil
Locação de máquinas e equipamentos - R$ 450 mil
Serviço de pavimentação asfáltica - R$ 200 mil
Isolamento térmico - R$ 200 mil
Forro gesso - R$ 50 mil
Piso elevado (piso falso) - R$15 mil
Piso industrial - R$ 1 milhão
MATERIAIS
Cimento - 4.000 sacos
Concreto - R$ 3 mil m³
Aço - 300 mil kg
Impressos - R$ 30 mil
Materiais de papelaria - R$ 20 mil
Óleo diesel - 300 mil litros
Álcool /gasolina - 35 mil litros
Materiais cantina/refeitório - R$ 60 mil
Ar condicionado - R$ 30 mil
Bloco cerâmico - 198 mil blocos
Uniformes/EPI - R$ 70 mil
Suportes metálicos - 10 toneladas
Fios e cabos elétricos - 10 mil metros lineares
Materiais elétricos em geral - R$ 7 milhões
Tubos e conexões - R$ 4 milhões
Cerâmica - 2.500 m²
Azulejo - 4.000 m²
Massa corrida - 200 latas
Argamassa pronta - 6.000 sacos

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Beth Vervloet

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